Entenda os riscos de exercícios intensos sem avaliação médica

A prática de atividades físicas deve ser feita com equilíbrio, regularidade e segurança. Esse foi o principal alerta do cardiologista Alcino Sá em entrevista concedida à TV Cidade Verde nesta terça-feira (1º). O médico chamou atenção para os riscos de exercícios de alto impacto sem avaliação médica, especialmente entre pessoas com mais de 35 anos ou com histórico de doenças cardiovasculares.
Segundo ele, a atividade física é essencial para o bom desempenho do coração, mas precisa ser bem orientada. “Quando há um exagero ou é realizada por grupos de risco sem avaliação prévia, ela deixa de ser benéfica e pode se tornar um problema do ponto de vista cardiovascular”, explicou.
Alcino destacou que a corrida, embora popular, exige cuidados. Ele alertou para o crescimento de pessoas que aderem a esse tipo de exercício sem qualquer preparo físico ou orientação médica, o que aumenta o risco de complicações. “Após os 35 anos de idade, a gente precisa ter uma avaliação cardiológica para poder iniciar uma atividade física competitiva”, recomendou.
Para o cardiologista, alguns grupos exigem atenção especial: hipertensos, diabéticos, pessoas com colesterol alto, histórico familiar de morte súbita ou sintomas como dor no peito e cansaço excessivo. “Se a pessoa sobe um lance de escada e tem um cansaço desproporcional, ela precisa de uma avaliação cardiológica antes de iniciar uma atividade física”, ressaltou.
Entre os sintomas de alerta durante o exercício, ele citou dor no peito intensa, palpitações exageradas, aceleração dos batimentos e desmaios. “Esses são sinais que precisam de investigação antes de seguir com uma atividade mais intensa”, disse.
O médico explicou que a avaliação básica inclui consulta clínica e eletrocardiograma. Mas, dependendo do caso, pode ser necessário realizar exames como ecocardiograma, teste ergométrico ou, em atletas de alto rendimento, o teste cardiopulmonar.
Ele alertou ainda para um comportamento cada vez mais comum: pessoas que, em busca de bem-estar ou alta performance, iniciam treinos muito intensos sem nenhuma preparação. “Mesmo sendo jovem, se você começa uma atividade física muito intensa, sem preparo adequado, está sujeito a lesões e também a riscos cardiovasculares”, afirmou.
Segundo Alcino Sá, há doenças que não são detectadas em exames de rotina, como a miocardiopatia hipertrófica e algumas arritmias, que podem representar risco de vida. Por isso, ele defende que qualquer pessoa que vá iniciar uma atividade de alta intensidade passe antes por avaliação mais aprofundada.
Para ele, o segredo está no equilíbrio. “O excesso e a ausência são dois grandes pecados”, resumiu. O ideal, segundo o cardiologista, é manter pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, alternando entre aeróbico e musculação, e respeitando os limites do corpo.
Por fim, ele lembrou que hipertensão e diabetes não são impeditivos para o exercício, mas precisam estar controlados. “Não precisa estar com a pressão 12 por 8 para começar a atividade física. O importante é ter equilíbrio e acompanhamento para iniciar uma rotina segura.”
Fonte: Cidade Verde




